Sobre o grupo
Impossibilidade de Esgotamento: Grupo de Práticas Artísticas Contemporâneas é voltado a artistas e não artistas interessados em desenvolver processos de criação no campo das artes visuais. A proposta funciona como um laboratório de práticas individuais e colaborativas, em que teoria e prática caminham juntas, a partir de exercícios que podem envolver desenho, performance, instalação, cerâmica, intervenção urbana, gravura, pintura, grafite, diorama, fotografia, entre outras linguagens.
Não é necessário ter conhecimento técnico ou prática artística prévia para participar. Os exercícios não têm como objetivo o ensino aprofundado de técnicas específicas, mas a criação de situações expressivas que respeitem os interesses, vivências e processos de cada participante.
Criado em 2022, os encontros acontecem por meio de conversas, estudos de caso, leituras, referências visuais e proposições práticas, sempre com atenção às relações entre criação, pensamento crítico e experimentação.
Como parte do processo, o grupo realiza ações públicas em formatos definidos coletivamente. Desde sua criação, já foram realizadas exposições, intervenções e ações em espaços culturais, parques, praias e instituições de Florianópolis, além da organização de publicações.
A exposição deste semestre será realizada em dezembro na Galeria LAMA, em Florianópolis, espaço parceiro da CAIS Escola de Artes.
Programa 2026/2: Autoficção como montagem social de si
Neste módulo, a autoficção será pensada como uma forma de invenção de si atravessada por estruturas sociais, históricas e subjetivas: classe, gênero, sexualidade, violência, vergonha, família, território, linguagem, religião, moral, trabalho e corpo. A proposta é investigar como uma vida pode se tornar matéria artística sem se reduzir à confissão, entendendo a escrita de si como montagem: uma operação que organiza uma voz, uma origem, uma memória, uma imagem e uma presença no mundo.
A partir de autoras e autores como Annie Ernaux, Édouard Louis, Fatima Daas, Camila Sosa Villada e Anelise Chen, vamos observar como o relato autobiográfico pode deslocar a experiência individual para um campo mais amplo, no qual o íntimo aparece inseparável das forças que o constituem.
Essas referências interessam porque mostram que escrever sobre si é também montar uma cena: escolher o que aparece, o que se intensifica, o que se encobre e o que retorna como marca, resto ou ficção. Em diálogo com artistas como Claude Cahun, Cindy Sherman, Marcel Duchamp/Rrose Sélavy, Ana Mendieta, Rodrigo Braga, Rosana Paulino, Brígida Baltar, Letícia Parente, Castiel Vitorino Brasileiro e Ventura Profana, o módulo propõe pensar o autorretrato, o corpo e a paisagem como campos de montagem. O interesse está em perceber como um corpo é feito também de imagens, fantasias, heranças, territórios, cortes e ficções. Em vez de perguntar apenas “quem sou eu?”, a proposta é deslocar a questão: que corpo se monta para responder ao desejo do Outro? O que da minha história insiste como cena, sintoma ou paisagem? O que precisa ser ficcionalizado para tocar alguma verdade?
Nível de conhecimento:
Não requer conhecimento prévio.
Material individual necessário:
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Caderno sem pauta
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Materiais de desenho
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Os demais materiais para as oficinas serão solicitados às pessoas participantes ao longo do semestre.

SOBRE A PROFESSORA
KAMILLA NUNES
Kamilla Nunes é artista, editora, curadora e diretora do Instituto Meyer Filho e sócia-fundadora da CAIS Escola de Artes. Doutora no Programa de Pós-Graduação do Ceart/Udesc. Em 2022 criou o Grupo de Investigações Artísticas IMPOSSIBILIDADE DE ESGOTAMENTO e, em 2024, o Grupo de Orientações em Processos Artísticos e Curatoriais DESVIO. Foi Júri do Programa Residência Artística Delfina Foundation, Londres, ING, UK, 2022 e finalista da 5ª Edição do Prêmio CNI Sesi Senai Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas (categoria curador). Foi criadora do Espaço Embarcação em parceria com Mônica Hoff; Curadora Geral do Espaço Cultural O Sítio; criadora e Editora da CAIS Editora.








