
Sobre a Oficina
Toda escrita em primeira pessoa começa com a aproximação de uma lembrança, de uma cena, de alguém, de uma voz que ainda não sabemos exatamente como escutar.
Nessa oficina, vamos experimentar diferentes maneiras de escrever a partir do eu, entendendo que a primeira pessoa não serve apenas para contar o que aconteceu. Ela também pode inventar, reorganizar memórias, criar personagens, dirigir-se a alguém, registrar o cotidiano ou transformar uma experiência em linguagem.
Ao longo de quatro encontros, vamos trabalhar quatro formas de escrita: autobiografia, diário, carta e ficção. Partiremos da leitura de textos de autoras(es) brasileiras(os) (com exceção da portuguesa Maria Gabriela Llansol) para conversarmos sobre os modos como cada texto constrói sua voz, seu ritmo e sua relação com quem os lê.
Com essas referências, as pessoas participantes serão convidadas a realizar exercícios breves e desenvolver textos próprios. Não é necessário ter experiência anterior com escrita literária. A oficina é voltada tanto para quem já escreve quanto para quem deseja começar, retomar uma prática ou descobrir novas formas de narrar a si e o mundo à sua volta.
Os encontros também terão momentos de partilha, sempre de forma opcional. A leitura dos textos será entendida como parte do processo de criação: um espaço de escuta, troca e percepção do que já existe em cada escrita e do que ainda pode se transformar.
No encontro final, cada pessoa poderá escolher e revisar um dos textos produzidos ao longo da oficina para compartilhar com o grupo.
Mais do que chegar a um texto fechado, esta oficina busca abrir caminhos para que cada participante encontre diferentes maneiras de construir uma voz em primeira pessoa, uma voz que lembra, observa, inventa, omite, se contradiz e se modifica enquanto escreve.
Conteúdo programático
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A construção da voz em primeira pessoa
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Memória, seleção e recorte na escrita autobiográfica
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Autobiografia e construção narrativa
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Diário, cotidiano e escrita do presente
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Registro, fragmento, repetição e interrupção
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A carta e a presença de uma pessoa destinatária-leitora
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Intimidade e distância
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Ficção em primeira pessoa
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Memória inventada e narradores pouco confiáveis
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Exercícios de escrita, leitura e reescrita
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Compartilhamento e escuta dos textos produzido
Bibliografia básica
Correspondência incompleta, Ana Cristina César
Água de barrela, Eliana Alves Cruz
Becos da memória, Conceição Evaristo
Quarto de despejo, Carolina Maria de Jesus
Todas as cartas; Felicidade clandestina, Clarice Lispector
Um falcão no punho, Maria Gabriela Llansol
Infância, Graciliano Ramos
A terceira margem do rio, João Guimarães Rosa
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
Dinâmica: Exposição teórica, Conversa coletiva, Exercícios práticos, Produção individual, Orientação de processos
Produção prática: A oficina terá produção prática individual de textos a partir de algumas leituras que servirão como disparadoras para uma conversa entre as pessoas participantes. Serão propostos alguns exercícios breves antes da escrita do texto principal da noite. No fim de cada encontro, haverá um momento para leitura e discussão dos textos produzidos – para quem desejar –, lembrando sempre que se trata de um processo, de uma travessia, e que será um espaço de orientação da produção escrita livre de julgamentos e preconceitos.
Público-alvo: Adultos, Público geral
Faixa etária: a partir de 16 anos
Nível de conhecimento: Não é necessária experiência prévia.
Materiais incluídos: Não.
Materiais que as pessoas participantes devem levar: Caderno ou bloco de papel, lápis e/ou caneta.

SOBRE A PROFESSORA
ALINE NATUREZA
Formada em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Aline Natureza desenvolve pesquisas nas áreas de Literatura Brasileira Contemporânea, cultura das ruas e mulheres no samba. É especialista em Produção Editorial pela Universidade do Livro/Unesp, e atualmente cursa Psicologia.
Desde 2002, atua como redatora e revisora em editoras, agências de comunicação e empresas de produção de conteúdo, escrevendo para agências de comunicação, portais de notícias e editoras. Foi curadora assistente do projeto Arquivos Implacáveis Meyer Filho. É cofundadora, editora e revisora da CAIS Editora e cofundadora da CAIS Escola de Artes.
É autora do livro S’embora gente, vamos de samba (2025, ed. Cultura & Barbárie).
SOBRE O PROFESSOR
SEBASTIÃO G. BRANCO
Sebastião Gaudêncio Branco é natural de Lages/SC e vive em Palhoça/SC desde 2006. Trabalha como artista, pesquisador, professor, produtor e músico. É mestre em Artes Visuais (UDESC/2019) e foi artista residente na Oficina de Gravura da FCC (2014/2020); cursou produção cultural na Fundação Demócrito Rocha (2021) e foi curador da exposição "Hugo Mund: obra gráfica" no MASC (2022). Realizou 3 exposições individuais e participa de coletivas desde 2012, sendo finalista da Aliança Francesa em 2015 e 2017 e integrando a mostra Fronteiras em Aberto da Bienal de Curitiba Polo Catarinense. Participa de feiras gráficas desde 2013 e circulou pelo Brasil, Argentina e Uruguai. Pesquisa artistas catarinenses, vanguardas modernistas e arte contemporânea. Publicou textos sobre Hugo Mund Júnior, Julia Iguti, Rubens Oestroem, Carlos Asp, Cristian Segura e outros. Integrou como baixista e produtor as bandas Vivar (2017-2024) e Anesthetic (2019-2024). Atualmente é professor de arte efetivo na rede municipal de Palhoça (2024-) e exerce a função de assessor de formação na Casa do Educador de Palhoça desde 2025. Escreve parecer avaliativo de projetos artísticos e culturais, realiza produção cultural, escrita de projeto e consultoria para artistas que trabalham com artes visuais, música, dança e literatura.

